segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Viagem musical à New Orleans

 

Ontem terminou mais uma edição da maravilhosa do Bourbon Street Fest!

Diretamente de New Orleans foram, ao todo, sete grandes atrações apresentando-se em São Paulo na semana passada.

A sexta edição anual teve duas apresentações gratuitas. Para iniciar a grande viagem musical, o Parque do Ibirapuera cedeu o palco no sábado. Durante a semana, a viagem continuou dentro da casa de show Bourbon Street Music Club e no domingo, para finalizar, as apresentações foram na rua da casa de show lá no bairro moema.

Das seis edições, posso dizer que já fui em três e todas, claro, ÓTIMAS!

Ano passado, fui no Ibirapuera e a banda que mais lembro é a Zullu Connection, uma banda inspirada nas velhas tradições locais.  Descrevendo de modo bem ignorante, música de ubanda e performers com trajes carnavalescos.  Um som contagiante! Parece que o espírito vai baixar a qualquer hora... Hehe!

Esse ano, uma banda muito boa em destaque é a Dumpstaphunk. Muitobomadorei!

Vídeo com uma pequena música do Dumpstaphunk.

Ainda tem outra banda que veio ano passado mas que não vi em apresentações gratuitas, muito boa por sinal, é a Papa Grows Funk.

Trilhasonorapracomerpizzacomosamigosefazersexoê!

Recomendo a todos para apreciarem esse festival que está ganhando cada vez mais prestígio e críticas por aí. Mesmo quem não curte o som, com certeza vai, sem perceber, começar a dançar e viajar com as músicas!

E com música de qualidade, o tempo ajudou. A tarde de ontem, regada por um solzinho compôs a paisagem de gente tranqüila, cada um dançando na hora que dava vontade, cada um curtindo um som, curtindo essa viagem.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ah, aquele vento!

Eu estava lá, no ponto de ônibus. Tarde de sábado, sol com muitas nuvens, dia tranqüilo. Qual era o destino? O que eu faria perambulando por aí sem caminho sem ninguém? Não sei, eu vou.

Um vento bom soprava. Soprava a favor de quê? De quem?Soprava a favor de tudo e de todos nós.

Ponto sim, ponto não, o ônibus a remexer pelas indas e vindas das ladeiras, duas crianças e uma mãe (Onde estariam indo? Visitar a vó, talvez?) cantavam Lua de Cristal como se fosse o hino da infância. Desceram logo.

Parada sim, parada não. Dois meninos e um violão. Toquem pra mim! O som da freada. Fecho os olhos, só tenho que esperar meu destino final.Desço, ando. Pra onde? Estou indo.

Me deparo, de repente, com uma singela exposição de um fotógrafo, que até então nunca tinha ouvido falar. Que fotos lindas! Christian Cravo é o nome dele. Lindas!

E agora? Rumo a um banco isolado.

E dessa vez me daparo com uma figura estranha, olhando fixamente pra mim.Vestia um sobretudo que ia um pouco acima das canelas e percebia-se que estava sem calças. Usava um óculos de fantasia. Aqueles com um nariz e um bigode.Também olhei fixamente pra ele. Antes, conferi se não havia nenhum câmera de televisão por perto. Mesmo que eu já esperasse alguma surpresa, levei um susto quando ele abriu o casaco. Olhei de baixo para cima. Usava apenas um tapa-sexo onde estava escrito “Hoje é dia de sexo” ou “Aulas de sexo”, algo assim. Dei uma boa risada e depois fiquei sem graça. Continuei andando. Mais a frente, um indivíduo com uma filmadora. Acho que fui registrada!

Cheguei ao meu destino, um banco vazio! Vários casais, alguns mendigos. Cheiro de yakissoba. Pouca luz. O dia estava indo embora mas aquele vento, ah, aquele vento!Continuava a bater no meu rosto, no rosto de todos nós, balançando saias e vestidos, blusas largas.

Um momento de distração e lágrimas rolaram pelo meu rosto. E uma voz dizia: não precisa disso! Me acalmou. E como se encerrasse um telefonema, encerrei as lágrimas.

Veio, então, um palhaço. Posso jurar que apareceu, do nada, na minha frente.Fez umas mímicas confusas e entendi que queria comer. Quando fiz cara de quem não estava entendendo nada, ele fez um sinal para esperar, algo como: fica calma, vou te mostrar algo. Então, tirou uma flor de plástico do chapéu e me deu. Abri um sorriso muito grande e muito sincero e ele retribui, também, com muita sinceridade. Depois fez mais mímica e dessa vez entendi perfeitamente, pois ele tirou o chapéu colorido a apontou pra ele. Dei algumas moedas. Ele juntou as duas mãos e fez uma reverência, eu o imitei. Aí ele disse “obrigada!” e foi-se embora. Fiquei sorrindo um bom tempo.Como aquele palhaço apareceu ali, naquela rua sem ninguém? Com certeza estava me procurando. Queria roubar um sorriso.

Hora de voltar, não tem nada aqui.Dez, quinze minutos. Cadê o ônibus? Cheiro de fritura... Batata frita de rua! Comi como se fosse um banquete. E nem estava com fome!

De volta pra casa, noite boa. De longe eu ouvia... “Help, I need somebody. Help!...”Achei estranho.

Ao abrir a janela do meu quarto, senti aquele vento, ah, aquele vento.

Cheiro de chuva!Sorri de novo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Um pedido às estrelas

O famoso Festival das Estrelas é comemorado todo ano na cultura japonesa há mais de 1150 anos e consiste em fazer um pedido às estrelas.

O Festival vem da lenda de dois jovens que se apaixonam perdidamente esquecendo das outras tarefas cotidianas. O pai da moça (que também pode ser o Senhor Celestial) os separa deixando um de cada lado da Via Láctea.






As estrelas Vega e Altair, que representam o casal apaixonado, podem ser vistas juntas apenas no sétimo dia do sétimos mês do ano.

Este encontro, porém, foi permitido pelo pai contanto que realizassem os pedidos vindos da Terra.

E assim comemoramos o Tanabata Matsuri. No tanzaku, pedaços de papel, escrevemos nossos desejos ou nossos agradecimentos, e penduramos em ramos de bambu.








Claro que isso aconteceu aqui em São Paulo, no bairro da Liberdade.
Bairro com grande influência japonesa.





A organização para a festividade é voluntária, (E como fiquei sabendo disso depois, ano que vem quero me voluntariar!) e tudo é muito bem feito. Logo se vê pelas fotos.

Acredito que, independente da crença de cada um, a essência é uma só. E num país como o nosso em que Brasil é sinônimo de variedade cultural (e que variedade!) podemos aproveitar cada cultura, cada crença e juntar tudo numa só fé.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Poesia de baile

noitesertão

 Hoje vou falar de poesia disfarçada de conto. Vou falar dele, o homemem que estou apaixonada, Guimarães Rosa.

Acabei de ler o Noites no Sertão (Corpo de Baile) e fiquei longos minutos parada, pensando.

Foi como se eu voltasse de viagem, de lá do final das Gerais, do Buriti, da Casa de Iô Liodoro.

Já até sinto saudades das meninas, Lalinha e Glória. Como são lindas.

Queria ser como Glória, de vestido amarelo, cavalgando...

Muitas mudanças do destino final da história se passam nas noites. São parágrafos enormes e páginas e páginas descrevendo a noite no sertão.

E minhas noites foram com ele, Guimarães. E foi ele quem me deu de presente lindas frases que tirei do livro e senti vontade de compartilhar.

"Será que, amando, é que nos estamos movendo adiante, num mar?"

"Você sabe, Lala? Toda vez que a gente quer alguma coisa, e não sabe o que é, então é porque a gente está é com sede dum bom copo d´água, ou carecendo de ouvir música tocada..."

"Sorte. Quem souber o que é a sorte, sabe o que é Deus, sabe o que é tudo."

"Morrer talvez seja voltar para a poesia."

(Versão menos popular da, já enchendo o saco, "As pessoas não morrem, ficam encatadas.")

"Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinha. Essa a alegria que Ele quer..."

Espero que tenham gostado!

domingo, 29 de junho de 2008

Coitado do Bom Jesus


Em mais uma de minhas viagens de família que duram apenas um dia, resolvemos ir para Itu.No caminho, sugeri passar por Santana de Parnaíba, mas como passamos a saída na estrada, fomos para Pirapora de Bom Jesus.

Legal, vamos ver a tal da imagem que acharam na margem do rio, tirar umas fotos, aumentar a cultura, né, pessoal, essas coisas...

Entramos na igreja principal, vimos a tal imagem. Não rezei o Pai Nosso, mas fiz uma singela reverência mostrandorespeito e fui embora.

Então, fomos para as margens do rio. A princípio, "margens de um rio de uma cidadezinha do interior" pode parecer a coisa mais fofa do mundo. Mas, ao aproximarmos dele, sentimos um cheiro horrível!





O rio Tietê corta o centro velho da cidade e por vezes, pode-se observar tapetes de espuma sobre suas águas. Este fato ocorre devido a proximidades da cidade, da Barragem de Pirapora do Bom Jesus, que tem por finalidade acumular água, para atender a Usina Hidroelétrica de Rasgão, que se situa pouco mais abaixo. As águas poluídas do Tietê, quando passam pelos seus vertedores ou pela sua tubulação interna de descarga, acabam por produzir muita espuma (proveniente da contaminação da água por dejetos domésticos, notadamente detergente).

A Barragem de Rasgão está localizada próxima à cidade de Pirapora do Bom Jesus e represa as águas do rio Tietê.

Quando o rio Tietê abandona a capital de São Paulo, ele inicia a sua descida rumo a cidade de Itu, e começa a percorrer um traçado sinuoso, esgueirando-se por entre diversas colinas, locais propícios para a construção de barragens.

Em um destes pontos foi erguida a Barragem Edgard de Souza, destinada a produção de energia elétrica em Santana de Parnaíba.

Um pouco mais a frente, quando o rio Tietê entra no município de Pirapora do Bom Jesus, foi erguida a Barragem de Pirapora do Bom Jesus. Esta barragem no momento, apenas se destina ao acúmulo de água, para ser utilizada na geração de energia elétrica pela usina de Rasgão, que se situa pouco mais abaixo do rio, ambas barragens construídas em trechos estreitos do rio Tietê.

Seus reservatórios não são de grande dimensões mas aproveitam todo potencial hidrológico do rio Tietê que mantém um fluxo constante de água, por todo o ano.

Texto retirado do site Wikipedia







No site da prefeitura de Pirapora tem uma notícia sobre o evento que ocorreu no Dia do Rio Tietê, que é em 22 de setembro.

O evento contou com palestras educativas, distribuição de mudas, oficinas de como fazer detergente biodegradável, etc.

Foi um dia para informar, educar e incentivar a população sobre o que realmente está acontecendo.




(imagem retirada do site prefeitura de Pirapora)


Eu poderia postar aqui todos os problemas do rio, mas creio que isso não é novidade para as pessoas, principalmente para nós, moradores da grande São Paulo.

Aproveitei para falar do rio porque quando passei por Pirapora e me deparei com aquilo, fiquei surpresa! Foi aí que eu parei para pensar realmente no que está acontecendo.

No site da ONG Rede das Águas, tem informações sobre o Projeto Tietê (projeto de despoluição), sobre as políticas e lesgislações que envolvem o tratamento da água e o debate da despoluição.
Lá também tem informações sobre as bacias hidrográficas do Brasil, que é interessantíssimo e que envolve outros problemas para serem resolvidos como, por exemplo, os do Rio São Francisco, que é outro assunto complicado e seríssimo sobre a natureza maravilhosa do "nosso" Brasil.
*Imagens de usuário do Flickr

domingo, 22 de junho de 2008

Momento desabafo-filosófico do dia


"...assim Lalinha recordava sua própria adolescência - que agora lhe parecia inflar do avesso, separada de tudo, desatadamente vivida, como se pertencesse a outra criatura.

Lembrava-se: de quando se isolava, aflita sem razão, e tremia de querer uma novidade de amor, espantosa salvação e espaço.

De repente, de si, achara um vezo, muito oculto, o de abraçar-se ao que estivesse melhor ao seu alcance, uma porta, o travesseiro, um móvel, abraçava, e recitava frases de arroubo.

...quando descobriu que, para a verdade do amor, era a necessária a carne: que sua carne doesse, leve, devagar, enquanto ela murmurava sua intransmissível paixão, e prometia e implorava.

...Sonhasse - mas como se em luta por defender-se de outros sonhos.

Nisso se refugiara, por um tempo, meses; se gradualmente, se de uma vez, nem sabia como se desabituara. ...Mas, segredo que não confiaria a ninguém, a nenhuma amiga. Passara.

Quando o primeiro namorado apareceu, o mais era já assunto remoto, sem lembrança. Daí o amor dispunha-se de brinquedo, namorava exercendo um jogo expansivo, que esperavam dela, emancipador e predatório.

Seus namorados, contava-os como companheiros amáveis ou adversários amistosos; não lhe inspiravam devaneios nem desejo, e enjoava deles, se queriam romance.

Até que conheceu Irvino. A Irvino, amou, ao menos pensou que amasse, pensou desordenada.

Mas nele viu foi o homem, respirando e de carne-e-osso - seus olhos devassantes, seus largos ombros, a boca, que lhe pareceu a de um bicho, suas mãos.

Teve logo a vontade de que ele a beijasse, muito; por amor ao amor, não lhe veio a idéia de penar por ele.

Como uma vítima... De vezinha, impacientava-se, pensando nisso.

Então, o amor tinha de ser assim - uma carência na pessoa, ansiando pelo que a completasse? Ela ama para ser mãe... É como se já fosse mãe, mesmo sem um filho...

Mas, também outra espécie de amor devia poder um dia existir: o de criaturas conseguidas, realizadas.

Para essas, então, o amor seria uma arte, uma bela-arte? Haveria outra região, de sonhos, mas diversa. Havia."

Trechos de um longo parágrafo de Guimarães Rosa em Noites do Sertão.

domingo, 15 de junho de 2008

Olhar por dentro

.



Foi a primeira foto que vi dele. Fiquei impressionada!

A princípio não parece existir nada demais, mas veja além. Não sei se foi por acaso mas o clique se deu no momento da bicicleta e tal. Será que é mesmo isso que chamam de sorte? Não sei...

"Em qualquer coisa que faça, deve existir uma relação entre o olho e o coração. Com o olho que está fechado, olha-se para dentro, com o outro que está aberto, olha-se para fora."

Depois dessa, alguém acha que é sorte ou que a coisa vem de dentro mesmo?






Tudo começou quando Henri Cartier-Bresson, ainda pequeno, ganhou uma câmera e ficou impressionado com as imagens.

Aí, foi pra Paris estudar arte. Depois foi à África, depois serviu o exército francês e como era segunda guerra e Adolfinho não perdoava ninguém, é claro que foi parar num campo de prisioneiros. Aí, tal, juntou um monte de caras igualmente fantásticos para montar uma agência, foi contratado por revistas, ficou famoso e tal. Aí, todas essas coisas você pode ler sobre ele no
Wikipedia e no site da Magnum.
Maravilhoso mesmo é o modo como cada elemento de uma fotografia forma todo um contexto onde o tempo pára ou melhor dizendo, onde o clique foi mais rápido que o respirar de um ser humano.




E o que acontecia ali naquele momento não importa a ninguém saber. Simplesmente basta recorrer à sua mente o que ela quiser pensar. O contexto pode ser decifrável como um quadro abstrato: você decide o que se segue.


Bresson dava um pause nas cenas cotidianas. Imagens que, a princípio, parecem normais e que, quando percebidas como um fato único daquele momento vira uma poesia visual.

A sensibilidade aqui, é essencial. E Bresson a possuía tanto que aposto que podia enxergar pelas costas para não perder nenhum movimento.

Uma vez que é perceptível as cores (não no seu caso), as formas, os objetos, a luz e o enquadramento, começa a corrida contra o tempo.

“A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo ou o perdemos, e não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação, enquanto que a foto é um tiro. Você pode apagar um desenho e fazer outro, você não está lutando contra o tempo. Mas, com a fotografia, há uma espécie de angústia constante, pelo fato de você estar presente em um momento que não mais se repetirá. Mas é uma angústia muito calma”.



Depois dessa explicação que ele deu, não sei mais o que escrever.
Mas aqui tem esses links interessantíssimos que me inspirei para essa postagem, vale a pena ler:


E ouvindo Portishead enquanto digitava, apareceu essa frase nos meus ouvidos.
Algo meio que, digamos, bressoniano.

“Take a ride, take a shot now.” (Portishead)



domingo, 8 de junho de 2008

Happines is a warm gun.


O que estamos fazendo afinal?
O mundo tá acabando, economicamente, politicamente, humanamente, sei lá!
Acordo na espera de ligar a TV, o computador como se fosse companhia.
As vezes evito ler algum livro ou ouvir alguma música para não chegar ao lado mais emocional do cérebro.
Estou evitando alguma coisa. Será?!
Não.
Eu estou mais. Fiz um furinho em mim mesma e tudo q é bom sai de mim, para os outros, para o mundo.
 
Estou tentando sorrir mais. Nunca deixei de ser feliz. Mas acreditem, já escondi sorriso.
 
Na euforia de tentar parecer fria, intuitiva e quieta, deixei de aproveitar algumas risadas, alguns amores, alguns chocolates, algumas amizades.
 
E agora, vivendo outra euforia, pego a warm gun e atiro em tudo aquilo que só atrapalha a ocorência de grandes sorrisos.
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